Balela

Interbarney em Desencanto

É um tanto quanto intimidador fazer um blog de ciência, pensamento crítico e conhecimento geral em uma central de blogs primariamente de humor, mas como Eduardo Dusek mostrou que é possível falar de coisas importantes com música, humor e irreverência, resolvi me arriscar.

Um misto de cabaré e stand-up comedy.

Um misto de cabaré e stand-up comedy.

[Nota do Editor: Não é o Eduardo Dusek.]

Infelizmente, a estréia não terá como ser muito divertida, pois este post inicial será sobre o icônico Patrick Swayze, que morreu anteontem vítima do câncer — fato que tocou o mundo do entretenimento e estourou a veia cômica que existe em todo brasileiro.

via @ezulian

via @ezulian

via @ibere

via @ibere

Quando recebeu o diagnóstico de câncer pancreático em estado avançado, Patrick sabia que estava ouvindo sua sentença de morte: este é talvez o câncer mais letal de todos. 5 anos após o diagnóstico, menos de 5% dos pacientes ainda estão vivos, e mesmo entre a minoria que pode ser operada, a expectativa média de vida após a operação é de 12 a 19 meses. Ele teve muita sorte em ter sobrevivido 20 meses após o diagnóstico sem intervenção cirúrgica.

Mas o objeto desse post é uma declaração que Patrick deu em uma entrevista à Barbara Walters no início do ano:

Se alguém tivesse essa cura, como muita gente jura que tem, [esse alguém] seria duas coisas: muito rico, e muito famoso. Caso contrário, calaboca.

, Patrick está se referindo às curas milagrosas da chamada “Medicina Alternativa”. Ele sem dúvida deve ter recebido muitos e-mails não solicitados dos abutres curandeiros que se aproveitam de celebridades com câncer para promover sua pajelança. E, mesmo no desespero da sua situação, fez bom uso de suas faculdades mentais para reconhecer balela, e então rejeitá-la.

cérebro x-------------------- medo

cérebro x-------------------- medo

Um dos argumentos clássicos dos proponentes de terapias alternativas é o de que elas enfrentam ceticismo porque de uma forma ou de outra contrariam interesses financeiros da Big Pharma, o conglomerado amorfo de corporações farmacêuticas Do Mal.

Embora seja verdade que indústrias farmacêuticas muitas vezes fazem coisas anti-éticas, e até mesmo cruéis, elas o fazem porque – temos de reconhecer – adoram dinheiro. E o fato é justamente que qualquer um que conseguir demonstrar inequivocadamente que tem uma cura para (qualquer dos vários sabores de) câncer — um dos top 5 assassinos da humanidade —, vai ganhar muito dinheiro.

O detentor dos direitos sobre o câncer aviário.

O detentor dos direitos sobre a cura do câncer aviário.

Portanto, qualquer pessoa que tenha acompanhado os lançamentos de Hollywood nos últimos anos é capaz de inferir que, se você tem uma cura alternativa para o câncer que realmente funciona, sua maior preocupação não é ser ridicularizado: é ficar vivo. Porque a Big Pharma não vai descansar enquanto não tiver te matado e roubado sua fórmula; justamente pra fazer fortuna sozinha.

Aliás, a menção de Hollywood e grandes interesses corporativos me sugere um paralelo.

Todos sabem que para os grandes estúdios de Hollywood, o cinema não é uma arte; é um negócio. Quando confrontados com a recente popularidade do cinema alternativo, estes grandes estúdios imediatamente passaram a desacreditar e perseguir os filmes independentes, certo?

Errado. Ok, podem até ter feito isso, mas o fato é que os grandes estúdios também passaram a investir no cinema alternativo. E o mesmo se dá com a relação que as grandes gravadoras de música tem com os artistas independentes que fazem música alternativa: se algo dá certo, é assimilado. Ou seja, se você não pode vencer seu inimigo, vá atrás de uma parcela de seus lucros por unir-se a ele.

E com a ciência ou medicina “tradicionais” acontece exatamente o mesmo. O que não surge nos laboratórios, mas funciona, é assimilado. O que não funciona é descartado, independente de onde vem. E há um exemplo bem relevante disso.

Há alguns anos um certo Dr. Gonzales afirmou ter desenvolvido um tratamento alternativo para câncer que envolve uma dieta rigorosamente controlada, mais de 150 pílulas por dia, e freqüentes enemas de café. Eu juro.

A primeira bateria de experimentos clínicos pra verificar a eficácia dessa tortura desse tratamento – batizado de Gonzales Protocol, ou Gonzales Regimen – foi patrocinada por nomes como Nestlé e Procter & Gamble. O que é um pouco assustador, pois seria como a Globo investindo na Record, sei lá [NE: trabalhar as analogias], mas pelo menos mostra que existe interesse de grandes corporações em investigar as afirmações da medicina alternativa (nem que seja pra matar quem teve a idéia e então roubá-la).

Essa primeira fase, apesar de bem mal feita (apenas 11 pessoas foram testadas, quando testes de rigor científico geralmente exigem no mínimo algumas dúzias de espécimes pra ter alguma relevância), deu “tão certo” que um segundo estudo, mais rigoroso (mas nem tanto), foi encomendado. Dessa vez pelo próprio Instituto Nacional do Câncer estadunidense.

Esse estudo foi feito justamente com vítimas do câncer pancreático que eliminou nosso ídolo. Ele começou em 1999 e terminou em 2005, mas seus resultados só foram publicados semana passada. Por que a demora?

Em suma, o estudo teve de ser interrompido porque os pacientes submetidos ao Gonzales Protocol estavam morrendo descontroladamente.

Em testes de novos tratamentos com base científica, o esperado é que o novo tratamento seja um pouco melhor que o tradicional, ou que pelo menos não faça muito feio. Mas o Gonzales Protocol em alguns momentos chegou a ser até 3x mais ineficiente que o tratamento tradicional, envolvendo quimioterapia.

Na tradição chinesa, amarelo é a cor da morte.

Na tradição chinesa, amarelo é a cor da morte.

[NE: Não é.]

É como se o gráfico mostrasse a curva dos pacientes de câncer pancreático recebendo tratamento (em azul), comparados com os que não recebiam tratamento nenhum (debaixo da terra). Não é de se estranhar que os proponentes do tratamento não tinham pressa alguma pra divulgar estes belíssimos resultados.

Por fim, tivesse Patrick fraquejado e se agarrado a qualquer promessa de vida para salvar ou prolongar a sua, ele poderia ter vindo a experimentar o Gonzales Protocol (dentre inúmeros outros tratamento igualmente ineficazes), e a morrer muitos meses mais cedo.

E com isso concluímos a lição de hoje: sempre desconfie de pessoas promovendo curas e tratamentos que são “alternativos” devido a algum tipo de “boicote” da indústria farmacêutica. Medicina Alternativa que funciona deixa de ser Alternativa e vira apenas Medicina. Como o Muse. [NE: É sério com essas analogias.]

video

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33 comentários Postar um comentário ou enviar um trackback.

  1. cris, 16/9/09

    excelente. agora vai.

  2. Ronald Rios, 16/9/09

    saber pode ser uma grande diversão, GENTE

  3. _Sideral_, 16/9/09

    Patrick vai deixar saudades…

  4. Daniel Lima, 16/9/09

    Muito foda a PROPOSTA do blog e o post de estreia.

  5. Chico Barney, 16/9/09

    Explodiu minha cabeça

  6. Adriano, 16/9/09

    Caraca, sensacional! Valeu pelo texto!

  7. Thiroux, 16/9/09

    Nunca tinha pensado por esse lado, faz todo o sentido!
    Já estou abandonando o meu retiro nessa tribo xingu no meio do tocantins que tinha prometido curar minha caspa!

    Salvou minha vida!

    Valeu mesmo.

  8. Pamela, 16/9/09

    muito bom. tava faltando algo assim. ja esta nos favoritos.

  9. Daniel Fagundes, 16/9/09

    Muito bom esse poetics do fim.

  10. xixa, 16/9/09

    Hahah, excelente a analogia maior entre indie rock e medicina alternativa. Mas você fala dos tratamentos alternativos que teorizam uma resposta do organismo à ‘inputs’ quimicos, baseados no paradigma da medicina convencional, como é o caso de, sei lá, a homeopatia por exemplo. Mas e no caso de tratamentos complementares (segundo a OMS) que funcionam (?) baseados em pressupostos completamente diferentes, como a acupuntura?

    O argumento sobre a Big Pharma funciona até o ponto em que você consiga provar inequivocadamente a eficácia da sua cura para o câncer, mas, mais importante que isso, que você consiga faze-lo de forma que o resultado seja um produto que possa ser comercializado com uma tag de preço colada em si. Coisa que não funciona muito bem em agulhas. Nem em chineses. (Chineses são iguais gatos, você cola uma tag na cara deles, eles ficam passando a patinha pra tirar).

    Não estou defendendo a acupuntura nem nada, porque eu mesmo nunca fiz uso. Nem dizendo que ela cura o câncer, porque não tenho idéia se ela ao menos se dispõe a isso. Sei que acupuntura é usada até que largamente para controle de dores da quimioterapia, mas não sei se esse é seu limite como ciência ou o limite imposto pela medicina convencinal à acupuntura.

    Estou inclinado a crer que se a acupuntura realmente funciona, algum dia irá se descobrir o porquê disso dentro do universo quimico, mas enquanto a coisa ainda é dividida em universos distintos, talvez caiba aí uma grey area que caibam resultados e o fator alternativo.

    A acupuntura é o Ramones da medicina. #mainardicompara

  11. foster, 16/9/09

    patrick swayze virou ghosts kkkk

  12. Pedraum, 16/9/09
  13. Pedraum, 16/9/09

    falando nisso, vc eh o cara do Cersibon né?

  14. moskito, 16/9/09

    O cara do cersibon mostrando que é a Grazi Massafera do Interbaney.

  15. Rafael Madeira, 16/9/09

    Puta merda, hein, Pedraum. Obrigado pelo material, anotado.

    (E sou eu que faço o cersibon sim.)

  16. Rafael Madeira, 16/9/09

    Xixa, pretendo mencionar a acupuntura no futuro. Por enquanto basta dizer que a acupuntura (ou melhor: enfiar agulhas ultrafinas na pele) demonstrou ter boa eficácia na supressão de dores, e isso apenas. Mas até aí até hipnose se mostrou eficiente, sendo usada como alternativa pra anestesia em tratamentos dentários, partos, etc.

    O que só reforça o caráter psicossomático da acupuntura.

  17. Bernardo Zirpoli, 16/9/09

    Melhor texto do Interbarney até agora. Parabéns.

    PS: Tem um tipo de câncer no cérebro que a chance de sobreviver ao primeiro ano é só de 2%. O pai de um amigo teve e tal.

  18. Renan, 16/9/09

    Certa vez imprimi um texto do Interbarney para ler no trajeto trampo-faculdade. Nenhum sentido.

  19. Chico Barney, 16/9/09

    Antigamente, ainda no blogspot, o VTV tinha uma seção chamada “Medicina Muito Alternativa”, em que o Dr. Sebastian Cuomo receitava bandas indie para pacientes enfermos.

    Era um sucesso. Quase virou podcast ano passado.

    abs

  20. Zé Peixoto, 16/9/09

    O tema em discussão é relevante, porém ultrapassado.
    Foi pauta de um dos pupilos do Caco Barcelos no Profissão Repórter em meados de 2007.
    Citar a fonte é primordial.
    Lamentável…
    ABS.

  21. Rafael Madeira, 16/9/09

    Caro Zé Peixoto,

    Enquanto houver gente caindo em balelas desse tipo, o assunto não será ultrapassado. Forte ABS.

  22. Zé Peixoto, 16/9/09

    Prezado Madeira,

    Por mais uma vez, data venia, ouso discordar das colocações do nobre colega.
    Importante ressaltar que não pretendo travar aqui um embate pessoal, mas sim discutir de forma responsável e madura correntes de pensamentos que se divergem.
    É fato inequívoco que o motor que impulsiona o ser humano é a incerteza. A ânsia pelo saber, por entender o até então inexplicável, a busca incansável pelas respostas. Este é o motor que que empurra a humaniadade, trazendo-nos ao atual nível de evolução do pensamento.
    A própria ciência, que tanto prezas, evoluiu única e exclusivamente em razão das incertezas humanas.
    É esta incerteza acerca do amanhã que faz com que apoiemos nossas esperanças sobre práticas alternativas (ainda que duvidosas, incertas).
    Aquele que deixou de acreditar, de fato já está morto. Deixa de VIVER e passa a SOBREVIVER.
    Mas de fato, qualquer técnica que venha a trazer um fundo de esperança a quem se encontra desolado, é louvável.
    E quando digo “qualquer técnica”, refiro-me de fato a qualquer técnica, seja medicina alternativa, homeopatia, poder do pensamento e da auto-cura.
    Onde há esperança, há vida, colegas.
    Prefirível viver fundado em uma verdade pessoal (ainda que precária), à morte da própria alma.

    Respeitosamente,
    Zé Peixoto.

  23. tião galinha, 16/9/09

    “Aquele que deixou de acreditar, de fato já está morto. Deixa de VIVER e passa a SOBREVIVER.”

    (zzzzzzzzzzzzzz)

    ok. então nós, os natimortos da sociedade, exigimos nossa cota nas universidades. gastamos toda a nossa energia tentando SOBREVIVER, não dá tempo de estudar ok

  24. Manoel Leonam, 17/9/09

    Excelente Artigo!!!!!!

  25. Hans Guro, 17/9/09

    Zé Peixoto, a única diferença entre as “técnicas” que você citou e a ciência está no rigor. Iludir pessoas moribundas é imoral e ilegal, não louvável. abs

  26. Chico Barney, 17/9/09

    O Hans Guro agora fala pelo Rafael Madeira?

    Bom saber.

    Um abraço.

  27. xixa, 17/9/09

    O exemplo que você deu é ainda melhor para ilustrar o que eu queria dizer por diferentes paradigmas. Eu entendo o raciocínio que faz com o resultado da psicossomatização em geral seja vista com um certo desdém pela comunidade cientifica, mas o fato da origem de algumas doenças e cura de outras serem atribuidas a mente, é algo espantoso.

    No caso da acupuntura ser uma prática baseada totalmente na psicossomatização, em síntese o que temos é um pequeno teatro cujo resultado é proporcional à dose de fé que a criatura tem naquilo a que se submete, tendo resultados bastante variaveis. Mas no caso da Hipnose, como você citou, o que se tem é um conjunto de técnicas desenvolvidas na intenção de promover um estado que permita a indução deliberada da psicossomatização. A abordagem é bastante científica até, apesar de ser terreno fértil pra todo tipo de pilantra (Não é exclusividade dela, a medicina convencional tem um pilantra desses atrás de todo balcão de farmácia, a única diferença é que esses não conseguem ir tão longe, a pajelança termina no Benegrip.).

    Mas ainda que não seja a hipnose o canal, a questão é que se a psicossomatização pode ser minimamente induzida, não é tão absurdo se esperar que ela possa atingir graus mais elevados de indução e efeitos, podendo um dia ser ministrada de forma mais bem controlada. Se fosse esse o caso, isso iria contra os insteresses DO STATUS QUO. [*screeching violins*]

  28. Rafael Madeira, 17/9/09

    Xixa, o principal problema é que, ao que tudo indica, o “poder da mente” é apenas paliativo. Hipnose e acupuntura, por exemplo, podem acabar com as dores nas costas ou no braço, mas nunca irão curar a hérnia de disco ou a fratura exposta que estão causando esse sintoma.

    Além disso, o efeito psicossomático também é limitado. O máximo que a fé/crença de uma pessoa sobre determinado tratamento pode fazer é dar um gás ao sistema imunológico dela (efeito placebo). E é o sistema imunológico que vai lidar com esse problema de saúde, não a “força da mente”. Se o sistema imunológico dela simplesmente não estiver à altura da enfermidade, nem toda fé do mundo fará diferença.

    E, voltando ao assunto dos interesses, pode ter certeza de que, se um dia conseguirem controlar indução e efeitos a ponto de fazer diferença real, demonstrada em estudos clínicos aleatorizados e tal, os laboratórios iriam atrás dessa parcela. Nem que fosse só pra pressionar governos e o mercado pra cobrar “qualificação especializada” dos profissionais que administram esses tratamentos. “Eu sou um ‘hipnotista’ certificado da Pfizer”, etc.

    É como o que se dá com a Naturopatia, por exemplo. Se apenas chás e dietas fossem o bastante pra tratar eficientemente todo tipo de doença, pra que gastar trilhões de dólares isolando e sintetizando princípios ativos no laboratório, investindo em licenças, patentes, etc? Seria muito mais barato — mas igualmente lucrativo — cobrir os custos de plantação e distribuição dos alimentos usados nos tratamentos. Em cima disso poderia-se fazer o merchandising de que as fazendas da Roche são mais limpas, não usam agrotóxicos, etc.

    TUDO pode ser monetizado. Principalmente por quem tem dinheiro de sobra pra se arriscar.

    OBS: Não estou dizendo que não há nenhum valor em nenhuma dessas outras abordagens, só que a medicina “tradicional”, baseada em ciência, ainda é o modo mais eficiente de tratar a grande maioria das mazelas. Um tratamento baseado em dieta, chás e indução voltados à fortalecer o sistema imunológico de um paciente, pra que ele lide sozinho com a doença, é perfeitamente plausível. Mas na maioria das vezes, as doenças e infecções realmente sérias, que não evoluem para a cura (como acontece com a maioria dos males mais comuns), se desenvolvem muito mais rápido do que o melhor sistema imunológico pode acompanhar.

    Se a pessoa tiver sorte de não morrer enquanto seus sistema imunológico se prepara pra conter a invasão, pode perfeitamente dar certo. Mas é uma loteria. É muito mais indicado trazer ajuda especializada de fora (os remédios) pra conter a ameaça iminente, e deixar pra fortalecer o sistema imunológico quando o problema acabar. Ele vai estar desgastado com o problema, e vai precisar, mas agora não vai ter que se dividir entre se fortalecer e combater uma infecção.

  29. xixa, 17/9/09

    É, eu não posso ir muito além na discussão das limitações do “poder da mente” porque apesar do interesse no assunto, não tenho muita paciência pra artigos médicos, tudo que falo é baseado em casos que vemos em conhecidos, amigos e parentes, coisas que os médicos não explicam. Mas tendo a concordar com o que você diz, essa falta de explicação para alguns casos se tornam muitas vezes o ‘Deus nas lacunas’ da medicina. Mas ainda que mínimos, os efeitos da mente sobre o corpo ainda me interessam bastante – principalmente porque seus efeitos são comprovados empiricamente.

    Agora sobre o assunto de interesses, concordo que tudo possa ser monetizado, mas não acho que seja esse exatamente o ponto. Voltando para o paralelo que você fez com a industria cultural, tente imaginar o potencial de monetização da venda do MP3, da distribuição gratuita de músicas e o interesse da industria fonográfica nisso. Acho que como qualquer industria milionária, o problema é que a mudança do modelo implica em dissolução da concentração de poder e diminuição das grandes corporações. É aí que eu discordo parcialmente com o que você diz a respeito do porque os laboratórios sintetizam a droga.
    Abstraindo a discussão da eficacia na naturopatia, creio que se fossem igualados os efeitos dos farmacos sintetizados aos das plantas em si, a industria poderia até mudar sua produção e apelar para o discurso ‘verde’, mas dificilmente seria ‘igualmente lucrativo’ como você diz, já que entrariam na roda uma quantidade enorme de minor players de todos os lugares, além da competição direta com qualquer cidadão com um punhado de terra a disposição. É obvio que a sintetização da droga tem uma importância prática, mas não dá pra ignorar o fato de que ela faz do medicamento um produto no sentido mais industrial e comercial da palavra, e no fim das contas, é disso que se tratam os conglomerados farmaceuticos.

    Mas começo a divagar. Desculpe por estender tanto este tópico!

  30. Marie B., 17/9/09

    Ótimo texto, sério.

  31. Rafael Madeira, 18/9/09

    Xixa, muito bom o exemplo do mp3. Agora entendi o seu ângulo, e concordo com seu comentário.

  32. Bullshico, 18/9/09

    Rafael, se você fosse mulher, eu dava pra você!

  33. André, 20/9/09

    muse é uma merda :)
    e parabéns pela ótima proposta (mais uma, aliás!)

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