Eu já planejava escrever sobre Homeopatia aqui, em algum momento, mas o caso recente dos pais que foram condenados por homicídio por terem “deixado sua filha morrer” ao tratá-la com homeopatia em vez de medicina “tradicional” trouxe o caso à atenção de pessoas que pediram que eu o abordasse logo.
Embora mortes decorrentes de não-tratamento médico em preferência de homeopatia estejam longe de ser um acontecimento raro, este caso foi especialmente dramático por se tratar de uma morte que já seria bem horripilante se tivesse acometido qualquer pessoa, mas que se tornou especialmente macabra por ter vitimado um bebê de apenas 9 meses de idade, que não teve nem liberdade de escolha sobre seu tratamento.
Sam é médico homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer . . . Quando morreu, Gloria pesava apenas dois quilos a mais do que quando nasceu, e seu cabelo, que era preto, havia se tornado branco. Sua pele estava coberta de feridas e ela sofria de uma infecção.
E esse evento tornou-se ainda mais digno de nota quando seus pais foram condenados por sua morte – e não por negligência, mas por quase-assassinato.
Vejamos então um pouco do que estava envolvido no caso.
Homeopatia: o homem e o mito
A Homeopatia alcançou sua popularidade inicial em um tempo em que a idéia de cura era provocar hemorragia e envenenamento por metais pesados; em que ainda não se sabia que lavar as mãos podia salvar vidas; em que medicina geral era praticada por barbeiros. Ou seja, em um tempo em que você tinha maiores chances de melhorar se não procurasse ajuda médica.
Em contraste, as pessoas que se tratavam com o alemão Samuel Hahnemann não costumavam morrer de infecção generalizada alguns dias depois da consulta. Qual era o seu segredo?
Em uma palavra: nada. Hahnemann não fazia absolutamente nada por seus pacientes. E isso, comparado com o que os outros faziam, já era muito.

Mais Zen que Buda.
Hahnemann baseava seus tratamentos em alguns preceitos fundamentais, o mais fundamental deles sendo o de que “semelhante cura semelhante”. Nesse momento você deve estar pensando que isso deve ser parecido com o princípio das vacinas: uma dose inerte de um agente patogênico é introduzida ao organismo pra ensinar seu sistema imunológico a lidar com o agente real, ativo, quando entrar em contato com ele. Como você é burro.
Na verdade, o que a “Lei dos Semelhantes” diz é que os sintomas apresentados por uma pessoa doente podem ser eliminados por substâncias que causam esses mesmos sintomas em uma pessoa saudável.
Oi.
Digamos que você esteja com diarréia. Que tipo de substância causaria diarréia em uma pessoa que não está com diarréia? Laxante. Logo, o remédio ideal pra sua diarréia seria um laxante.

Oi.
Não! Calma. Isso seria completamente imbecil. É aí que entra o segundo preceito mais importante da Homeopatia: a “Lei dos Infinitesimais”. Na prática, este princípio defende que quanto menor for a concentração de uma substância, mais poderosa ela é em combater seus próprios efeitos. (oi)

Agora sim.
Em outras palavras, uma substância que em certas concentrações causa certos efeitos, em concentrações “contrárias” causará efeitos “contrários”. Ou combaterá os efeitos que causa, ninguém sabe ao certo.
Em um Universo onde a Homepatia funciona, vejamos como esta lógica se aplica, por exemplo, à coniina; toxina responsável pelo poder venenoso da Cicuta:

Neste mesmo Universo, outra coisa maravilhosa ocorre: a água tem memória, e se “lembra” das substâncias com que manteve contato.
Infelizmente não é neste Universo que vivemos
Quando Hahnemann postulou que substâncias em concentrações diminutas eram capazes de provocar efeitos orgânicos, o físico italiano Amedeo Avogadro não estava por perto para avisá-lo que, conforme você dilui uma substância, em algum ponto a solução vai passar a não ter mais uma molécula sequer do princípio ativo original.
Princípios ativos são substâncias específicas selecionadas para interagir de forma específica com o que precisam interagir para causar o efeito específico desejado. A única substância específica em um remédio homeopático ordinário é H²O.

Solvente e medicamento universal.
Ao longo dos anos, defensores da Homeopatia fizeram várias especulações (cada uma mais mágica do que a outra) para explicar como é que pode uma porra dessas Batman: como pode água realizar o trabalho do ácido acetilsalicílico, nicotina, etanol, THC etc, só por ter entrado em contato com eles em algum momento?

Empatia?
Também não há explicação satisfatória sobre por que a água se lembraria dessas substâncias em particular e esqueceria todas as inúmeras outras com que entrou em contato durante seu ciclo eterno, que inclui temporadas em organismos doentes, exposição a radiação e férias em esgotos do mundo inteiro.
Alguns sugerem que a resposta pode estar nos processos de “dinamização” e “sucussão”. Esses consistem em diluir a substância em água por agitar o vidrinho de forma vigorosa e metódica.
Eu sei que pra qualquer pessoa racional essas batidinhas já parecem ser o bastante (não?), mas o fato é que se algo assim fosse provado, seria uma revolução para a ciência e indústria da Física de maior importância que a realização do movimento perpétuo, e um fato de maior impacto para a ciência e indústria da Química do que um alisador universal de cabelos.
Ok, mas nada disso quer dizer que a homeopatia não funcione
É verdade. Por mais absurda que a coisa toda possa parecer na teoria, é o que acontece na prática que conta. Se, apesar de nos fazer indagar sobre o grau de parentesco de Samuel Hahnemann com Ron L. Hubbard, a Homeopatia demonstrasse resultados clínicos convincentes, ninguém poderia falar nada. Mas um recente estudo de 110 experimentos clínicos concluiu que os resultados dos tratamentos homeopáticos foram indistinguíveis de placebo e bem menos expressivos que tratamentos da medicina “tradicional” para os mesmos problemas.
É geralmente nessa hora que os defensores de homeopatia recorrem a dois argumentos, diametralmente opostos: ou se trata de uma conspiração das grandes corporações farmacêuticas pra boicotar as alternativas; ou a Homeopatia não está sujeita aos padrões de evidência da ciência e medicina convencionais, por se tratar de uma ciência metafísica, e não empírica.
A primeira objeção reconhece a necessidade de evidências e metodologias objetivas e já foi abordada brevemente aqui, com mais por vir (provavelmente). A segunda faz bico e diz que não quer mais brincar.
Em primeiro lugar: decidam-se. O fato de que dois homeopatas praticantes que tiveram a mesmíssima educação podem ter idéias fundamentalmente opostas sobre a essência do que fazem não inspira a menor confiança.

Acima: medicina.
Segundo: a Homeopatia pretende ser medicina, e como tal tem – ou deveria ter – por objetivo a cura, o tratamento, a manutenção da saúde. Que é exatamente o que é avaliado em estudos clínicos de eficácia. Se o tratamento examinado nesses testes não produz resultados melhores do que pode ser esperado pelo efeito placebo, isso quer dizer que ele simplesmente não funciona. Não há meio termo, não há alternativa. Ou você tem Ebola ou não tem. O resto é desculpa.
O veredicto
Por fim, podemos concluir que a menina da notícia no início deste artigo morreu porque seus pais trataram seu eczema com quantidades irrisórias de água. E provavelmente nem em forma líquida foi, então nem sede isso resolveria.
Sinceramente, não sei se eles deveriam cumprir pena por isso. Mas não consigo entender porque as autoridades continuam deixando que “profissionais” receitem legalmente água com açúcar como tratamento médico, e que isso faça inclusive parte da política de saúde pública de países como o meu Brasil.
Homeopatia na Saúde Pública . . . Os custos do tratamento para o Sistema Único de Saúde são também sensivelmente menores.
Ah. Entendi.
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Belo texto, Seu Rafael!
Aproveitou que cancelaram o ENEM e jogou a redação aqui mesmo.
Muito bom, tomei muito dessa água.
Muito bom!
O gráfico de vida eterna foi foda. hauhauahuah.
O triste é que no brasil (e em outros países) homeopatia é matéria obrigatória. O muito triste é que normalmente, por consequência, os professores que dão essa disciplina realmente acreditam no efeito, sei lá, “químico” da homeopatia. São poucos os que explicam a homeopatia como ela realmente é: placebo puro.
Tenho um amigo que faz curso de farmácia e em toda aula ele discute com a professora de homeopatia. Ele me disse que um dia, ela chegou até a defender a vacina homeopática contra dengue. Um absurdo. E, segundo eles, a maior parte dos colegas de sala dele eram doutrinados por ela. Poucos eram mentalmente capazes de contrariar o que uma “professora universitária” dizia…
Amg, você é um gênio. Não consigo variar muito nos comentários pois é a mais pura verdade. Aquele ABS
Pra você ter uma ideia de como a homeopatia é coisa para trouxas, até o meu professor de homeopatia (sim, eu TIVE de fazer essa matéria para receber o diploma) não acreditava nisso.
Sucussões é uma mentira tão idiota quando a virgindade de Maria. Se você não fazer as 100 sucussões (estou batendo punheta não, tou é fazendo medicamento homeopático), o remédio (ou água, como queira) NÃO FARÁ efeito.
E outra, se a homeopatia acredita na cura pelo semelhante, por que nunca vi um medicamento homeopática contra herpes, dor de cabeça, P.A., diabetes e etc? Só encontro as mesmas porcarias: laxantes.
Homeopatia ressucita meireles vlvv//
Cintia Loureiro me informa que está rolando uma modinha de aplicar homeopatia em animais de estimação.
O gráfico tá tão bonito!
fui diagnosticado com hérnia de disco há uns meses atrás e sempre tem meia dúzia de pessoas simpáticas e amigas (filhosdaputa) sugerindo esse tipo de tratamento ou similar.
eu ia enfiar esse gráfico no reto de algum deles, mas ele realmente ficou bonito.
Gênio!
homeopatia funciona tanto quanto o tratamento que os pastores da igreja universal aplicam em aleijados no palco do show, digo, do culto: “RÁÁÁ, joga essa muleta fora e ANDA! ALELUIA!”. o infeliz até pode levantar e andar, mas vai cair com a cara na bosta logo mais, na calçada em frente ao templo.
kirp, você teve sorte de pegar um professor que não acreditava. Existem vários lugares que empregam professores que acreditam nessa coisa mística.
Muito bem colocado, a homeopatia é uma prática de curandeirismo (não gosto da expressão de medicina pré-científica, que dá a idéia de que medicina e ciência são coisas de alguma forma independentes) disfarçada, cujo apelo principal reside no analfabetismo científico promovido pelas escolas.
Ela se alimenta de crenças muito disseminadas na cabeça das pessoas sobre teorias da conspiração dos laboratórios de remédios, de noções herdadas do pensamento religioso disfarçada por um linguajar pseudo-cientifico (equilibrar as forças vitais, harmonizar o organismo e por ai vai) e uma retórica da esperança.
Se não fosse esse analfabetismo crítico ninguém cairia nessas velhas falácias ad hoc e post hoc:
“O tratamento homeopateta resolveu minha gastrite”
“Que bom, vou lá curar a minha também”
“Ela funciona, mas não é sempre nem com todo mundo, antes, você tem que saber qual é a gravidade, pois pode ser que primeiro você tenha que recorrer um médico tradicional (leia-se de verdade) para depois se beneficiar da homeopatia.”
Sério, já quiseram me convencer assim: A Homeopatia funciona, mas ela funciona melhor se você fizer junto um tratamento tradicional e “fortalecê-lo com a homeopatia”, os resultados aparecem mais rápido e são muito mais duradouros –> (Acho que se rezar junto então! não preciso nem mais de camisinha)
No ENEM, senta na cadeira ao lado
eu tenho bronquite e foram incontaveis as vezes q me indicaram homeopatia, quando criança eu cheguei a usar ja q minha mãe tentou de tudo para tratar a doença, e eu até entendo ela, mas o que fez melhorar obviamente foi a medicina e os corticóides. Hj qdo alguem indica ou diz q ta usando esse metodo instantaneamente perco o respeito por essa pessoa.
ah! e ri alto no gráfico. Super capacidade respiratória seria oq? soprar mt forte?
moskito:
Devem ser health designers também.
Manoel Leonam:
É, é bem difícil algum médico receitar só homeopatia, ainda mais pra coisas realmente sérias. Medicina alternativa de todas as formas tá sendo passada como medicina “complementar”, como se fosse uma vitamina que você toma pra ajudar no seu bem-estar “total”, enquanto a medicina “tradicional” vai lá e faz o serviço sujo de curar o problema da hora. É claro que quem recebe o crédito é a complementar.
Pedraum:
Eu também tenho bronquite (alérgica) e fui tratado a infância toda com homeopatia. Até os 10 anos eu tive praticamente uma pneumonia por ano, inclusive com algumas complicações (uma ou duas broncopneumonias e pneumonias duplas), e só quando o BICHO PEGAVA mesmo que o médico passava “alopatia” em caráter emergencial.
Depois que as “crises” passavam, lá voltava eu na homeopatia pra “restaurar” minha saúde. Nunca durou muito.
E soprar muito forte seria só no nosso universo. No universo da homeopatia deve ser tipo respirar debaixo d’água.
Cada caso é um caso. Acho complicado comparar um “tiro” com um mal respiratório ou algo assim.
Sinceramente, sou a favor da utilização da medicina convencional sempre que o caso exigir. É absurdo um pai não levar seu filho até alguém especializado que pode salvar a vida dele, isso só prova que existem radicais em todas as áreas.
Porém diversos tratamentos alternativos já foram comprovados como ótimos para certos tipos de mal e os pacientes não precisavam se encher de alopáticos para melhorar.
Bom senso deveria fazer parte da humanidade, mas parece que extremismo é muito mais encontrado.
Exmo Sr, como você é burro tambem!
Relativamente ao texto que publica, aconselho-o a ler um pouco de artigos cientificos recentes, antes de postar comentários preconceituosos e préconcebidos.
A Homeopatia já foi provada cientificamente e mais do que uma vez. O Physica A (como de certo não tem conhecimento, é o jornal cientifico onde são publicados todas as descobertas cientificas) publicou em 2003 uma descoberta que pasmou a comunidade cientifica. A memória da água!
Esta descoberta, mostra a eficácia da homeopatia e como as diluições acima dos valores de Avogrado têm SEMPRE, presença molecular.
Quanto ao efeito, placebo, é ridiculo as suas afirmações, pois como explica o efeito placebo em animais??
Testes em duplo cego e in-vivo estão disponiveis na internet, relativamente aos estudos (inclusivé pelo the Lancet) onde prova a eficácia da homeopatia.
Aconselho-o a ler algo contemporaneo, em vez de continuar a postar comentários ridículos (com 1 século de existencia)…não lhe fica bem e mostra o pouco conhecimento que vossa excelencia tem!
Por ultimo, quero ver se você tem a coragem de postar este meu comentário – comentário este sim realmente cientifico.
Basta procurar na internet, faça-o e aprenda!
Demais, demais.
Comigo nunca funcionou nem como placebo, eu nunca acreditei nisso. Papai ateu cético etc no meu ouvido fez MARAVILHAS para o meu bom senso. Mamãe é uma doida que acredita num portal mágico para uma nova dimensão parelela. Obviamente, se separaram. Adivinha com quem moro hoje?
No orfanato. abs
“Placeboterapia Elegante” como diria um antigo professor…
Um texto um tanto MAL PESQUISADO, as pessoas visam apenas o lado mais prematuro da coisa, como no caso da garota que pegou úlcera no olho. Que eu saiba úlcera de córnea se pega por uma bactéria, e como homeopatia é feita de elementos naturais, o que contém muita bactéria, ela provavelmente comprou alguma homeopatia muito PORCARIA, pode-se dizer de passagem. Eu me tratei com homeopatia durante a minha infância toda e não tive úlcera de córnea simplesmente porque comprei em uma farmácia decente, e não no meio da rua de um Hippie. Você deveria pesquisar mais antes de escrever uns textos tão sem fundamento como este.
Você é mais uma dessas pessoas que acham que pode julgar algo que está muito além do que você pode raciocinar com seus neurônios. O que o ser humano adora fazer na internet é isso, dar opiniões falsas para que leigos leiam e então acreditem no que qualquer um fala. E posteriormente enfraquecer o que há de melhor neste mundo, no caso, uma medicina tão maravilhosa.
Vitor: a homeopatia praticada em farmácias comerciais é tão estúpida quanto os homeopáticos vendidos por pai-de-santos e etc. O medicamento homeopático é algo individualizado, ou seja, cada pessoa com seus devidos sintomas terá uma composição única do medicamento homeopático. E apenas essa versão terá efeito para ele – e pode não obter efeito algum para o tio, vizinho ou amigo.
Homeopatia é besteira sim.
O médico homeopata chega ao cúmulo de perguntar ao paciente coisas como a posição que você dorme (te pergunto: que diabos importa saber se você dorme virado para o lado esquerdo ou direito para a cura do seu problema?), se você sobe escadas correndo, devagar ou de dois em dois degraus e outras baboseiras que só pessoas com muita imaginação e pouquíssimo senso crítico podem dar valor.
Apesar da existir essa questão de individualização do medicamento homeopático, você encontra em qualquer farmácia o famoso Complexo Almeida Prado 46. A fórmula é igual para todas as caixinhas do produto, não há individualização nenhuma. Toda a filosofia da homeopatia vai por água abaixo com esse produto.
Se você acha que te faz bem, beleza. O fato de você dizer que faz bem pra você é relativo. Vejo muitas pessoas – grande parte idiotas – na farmácia dizer que tal medicamento “não funciona comigo” ou que “só esse me alivia a dor”, e eu como farmcêutico tenho a plena certeza de que isso é cabeça fraca de gente trouxa com ideias totalmente equivocadas.
O que você diz, então, dos que usaram homeopatia e te dizem que não funcionou? É a prova da ineficiência? Não.
Agora, dizer que um princípio ativo (e que causa os mesmos sintomas que você possue) em uma solução hiper diluída irá te curar é algo que por mais que eu tente, não entra na minha cabeça.
Olá KIRP.
Bom, entendo o seu lado e o seu comentário um tanto VULGAR, mas, tudo bem, responderei com educação.
A homeopatia no seu ponto de vista, seja lá qual for ele, é besteira, OK. A única coisa que prezo é que pessoas que não pesquisam nem sequer direito, comecem a falar coisas das quais não sabem, e isso acaba de começar com o seu comentário. “O médico homeopata chega ao cúmulo de perguntar ao paciente coisas como a posição que você dorme”, Você já foi em quantos médicos homeopatas? Você criou um senso de perguntas que homeopatas faz, ou você leu isto no google? hehe.
Infelizmente há tantas pessoas na internet, como você, que expressam opiniões baseadas em internautas que nem sequer sabem. (creio que você não seja um desses)
“você encontra em qualquer farmácia o famoso Complexo Almeida Prado 46.”
A fórmula é igual sim, mas o tratamento de cada ingrediente, cada elemento natural que vai pra homeopatia é tratado de maneira certa, com cada cuidado necessário.
Se você diz então, que para cada pessoa existirá uma reação, então porque diabos alguém faz um texto como este? Quero dizer, se funciona com algumas pessoas, será algo como “pô, funcionou comigo. Com você não, azar o seu”
Um texto sem fundamento, com um toque de humor sem graça (ainda prefiro o cersibon).
A maioria das pessoas que comentaram aqui e falaram mal, provavelmente entraram na idéinha do cara que escreveu esse texto, é isso que eu me irrito, leigos lendo matérias de leigos.
Se cada leigo saísse por aí dando opiniões sobre um monte de coisas nos jornais, decerto que esse país ia ficar pior do que já está.
Rafael, parabéns pela forma como escreve – o texto está bastante divertido de ler.
Em contrapartida, por favor considere a possibilidade de rever alguns pontos aqui citados, pesquisar um pouco melhor, e re-postar novas informações eventualmente encontradas (ou não). A forma como foram feitas algumas colocações pode dar margem para considerarem o texto um pouco preconceituoso e raso.
Sobre o caso da menina, é realmente uma pena que tenha acontecido. Em especial, sinto que os pais precisam de acompanhamento psicológico. Em tudo na vida, precisa haver equilíbrio e bom senso; acredito que lhes faltou um pouco de ambos, e isso precisa ser analisado com pés no chão, e sem a necessidade de encontrar na homeopatia a culpa do ocorrido.
Pessoalmente, tive excelentes experiências com homeopatia – mas não por isso deixo de utilizar medicamentos tradicionais quando vem ao caso. Novamente, é uma questão de bom senso identificar quando um ou outro é mais bem-vindo.
Valeu,
André
Não, eu não li nada disso na internet. Li isso em um livro de homeopatia e ouvi essas palavras da boca do meu professor há cerca de 1 ano e meio, na época que eu tinha homeopatia na faculdade. E sim, o médico homeopata se baseia nesse tipo de pergunta cretina, pois segundo eles, tais características podem expressar ansiedade (como é o caso de subir escadas depressa) e outros sintomas.
Não existe essa coisa de funciona com um e com outro não. O fato é: se o medicamento ou o princípio ativo é eficaz, ele vai, INVARIAVELMENTE, funcionar com todo mundo (excluindo, é claro, fatores individuais que exercem interferência como distúrbios bioquímicos ou doenças, por exemplo).
E só pra completar e fechar minha participação nessa discussão sem sentido, eu sou farmacêutico e estou completamente habilitado a vender e MANIPULAR homeopáticos (ou seja, eu posso fabricar estes medicamentos, pois estudei e tenho um diploma para tanto). Portanto, eu sei como funciona o processo de fabricação dessa “santa água” (ou álcool, pois muitas formulações são bem alcoólicas), sei do processo de sucussão realizado pela Denise e como conhecedor e profissional apto a mecher com isso eu digo, com toda propriedade que me foi concebida, que homeopatia é besteira. Só é boa para tirar o dinheiro do seu bolso e colocá-lo no meu.
Vitor, André, Dr. Carlos Gonçavels etc: assim como o autor do blog, eu e outros que comentam por aqui também nos interessamos pelo assunto. Ao invés de insistirem em críticas vagas, ataques pessoais e evidências anedotais, poderiam postar links de fontes confiáveis que corroborem com seus argumentos? Acredito que esta seja a forma mais eficiente de convencer pessoas que frequentam um blog sobre ceticismo. abs
Impossível discutir com tais obstinados leigos na Homeopatia que insistem em dar conclusões das quais não tem o mínimo de prumo o suficiente para serem RUBRICADAS.
Até um dia.
Cordialmente, Vitor.
Impossível é discutir com quem se limita a dizer que o outro não sabe nada. Você se encaixa no perfil que você mesmo descreveu, chama todo mundo de leigo e não vem com argumento algum pra provar. E ainda termina a discussão com um “fui, vocês não merecem falar comigo nem com o meu anjo”.
Nao entendo nada de medicina, muito menos de quimica. O certo é que eu tinha muitos problemas respiratórios e to curado. Com 12 anos, eu pesava muitos quilos a menos q a média, e tinha uma estatura de uma criança de 9. Depois que comecei a me tratar com homeopatia, me curei e me desenvolvi normalmente, também fiquei obcecado por vários esportes (n conseguia me exercitar antes sem passar mal no outro dia).
Tá certo, existem coisas inexplicáveis e eu acredito que a corpo humano é capaz de se curar sozinho em algumas ocasiões. Mas aconteceu comigo e eu nao posso ignorar isso
Hj em dia, só tomo remédio em última opção, quando não consigo mais me levantar para comer. Mas já nem me lembro mais a última vez que adoeci de algo mais forte do que dor de cabeça ou gripe comum.
diegodrocha,
Esse seu depoimento é tão relevante quanto o depoimento da caseira do sítio dos meus pais que curou o filho de um mal estar com uma mandiga de revistinha de jornaleiro.
Só uma nota: Não confundir conhecimentos medicinais da era medieval (os citados) com os conhecimentos medicinais da antiguidade. A sangria, por exemplo, que foi atacada nesse post, não era uma prática tão absurda e é usada até hoje em alguns casos. (obviamente em situações bem mais controladas)
Homeopatia é sim uma ciência bastante duvidosa, mas não por ser obviamente idiota, ou pelo seu método de preparação que é obviamente estúpido, mas sim por falta de resultados.
Existem outros tipos de “medicina” alternativa que levantariam o mesmo tipo de suspeita por serem “obviamente” alguma coisa e que funcionam de fato, e são comprovadas.
Abraços.
Eu fui uma criança extremamente doente, vivia internada em hospitais por causa de problemas respiratórios. Um dia minha mãe resolveu me tratar com médico homeopáta e nunca mais tive nenhum problema do tipo. Pode ter sido sorte. Ou não. O importante é que aquelas bolinhas homeopáricas são gostosas pra caralho. Abs
Alguem podia fazer um estudo relacionando o sucesso de uma placeboterapia com o numero de degraus de escada que a pessoa sobe ou desce de uma vez..
Foi difícil concluir a leitura, mas consegui. Sobre o texto, não perderei meu tempo fazendo comentários (já perdi muito só m ler)… Apenas gostaria de externar um comentário: A falta de senso crítico é algo espantoso! A alienação alheia é algo absurdamente espantoso! Como o próprio autor disse, coisas do “meu Brasil”. Vamos lá galera, vamos beijar a camisa dessa nação de intelectuais!…
(diluí minha indignação até chegar a concentrações homeopáticas, do jeito que vocês fizeram com suas consciências/inteligências/senso crítico – se é que já tiveram isso um dia)
-não é a toa que qualquer ‘papangú’ se torna político.
Q
Excelente o blog e excelente o post!
Cara, tu botou link desse post na comunidade “Homeopatia: eu acredito”? hahaha tá sinistro isso
Alguém mais acha que homeopatia tem gosto de parede?!
Pelo jeito a homeopatia atingiu status de religião. A intolerância dos seus defensores é descomunal. Claramente a eficiência do remédio é proporcional à fé no mesmo.
Mas provas, certidões, documentos etc, CADÊ?
Confiram meu blog sobre homeopatia, acupuntura e a medicina dos cristais
Postei errado o link eherher
Te amo
Casa comigo
ja q nao rola mta atualização, me divirto lendo os comments
http://www.skepdic.com/homeo.html
Esse link resume todos os estudos acadêmicos publicados para peer review sobre homeopatia.
Só um analfabeto científico acredita nisso.
Vou emitir meus comentarios com comprovação.
Meu moleque de 4,5 anos não tem como sofre de efeito placebo, pois não tem consciência do que cura e nem sequer sabe para que serve ser curado.
Aos 1,5 anos teve uma crise de asma, as 2 anos de novo e tratei com tão poderoso BEROTECK amado pela maioria aqui pelo fato de eliminar os SINTOMAS da DOENÇA. Ocorre que ao contrario do que se deve a homeopatia ataca a doença e não os sintomas. ATACAR OS SINTOMAS SIM é uma IMBECILIDADE.
O fato é que depois que parei com BEROTECK e fui resposnder as tais perguntas IDIOTAS e tomar as BOLINHAS DE MERDA ele não produziu mais as crises de ASMA. Muita SORTE não é ? Esplica outra, minha filha de 7 anos tem 3 anos sem adoecer graças as BOLINHAS DE MERDA. Mais sorte não é ? Eu tambem tive sorte com as BOLINHAS DE MERDA e depois de 30 anos de alegias constantes tem 8 anos que não tenho nenhuma crise. Mais sorte não é ? COM TANTA SORTE PORQUE EU NÃO GANHO NA LOTERIA ?
So para incrementar vossa inteligência, as tais das perguntas IDIOTAS demonstram seu controle emocional e caso sejam muito ignorantes as emoções são reações QUIMICAS induzidas por partes específicas do CEREBRO, logo tem haver saber delas para não medicar com elementos que se cancelem.
Outra informação, NEWTON formulou os mais espetaculares conceitos físicos e matemáticos ( FISICA CLÁSSICA), ensinados até hoje em nossas escolas, porem ninguem se incomoda com isso, porque funciona ! Está totalmente errada e não funciona nem no macro e nem no micro universo ( dimensões cósmicas e dimensões microscópicas para os burros de plantão ), é um caso específico para nossa ordem de grandeza, chamada de NORMAL. EINSTEIN formulou conceitos que explicam o MACRO eo NORMAL, mas não funciona no MICRO (FISICA DA RELATIVIDADE). Mesmo assim EINSTEIN contribuiu muito junto com muitos outros para a criação da moderna FISICA QUANTICA. A memória da água está relacionada a frequencias de ressonância dos compostos quimicos e não de sua presença efetiva. Infelizmente muitos HOMEOPATAS FLOREIAM AS DESCOBERTAS CIENTIFICAS COM CONVERSAS ESOTERICAS e causam a propria ruina e descrença.
EM SUMA, LEIAM MUITO MAIS ANTES DE FALAR MERDA
Ssegue alguns links para serem lidos caso deixem de ser IDIOTAS IMBECIS E IGNORANTES e queiram se esclarecer sobre este tema.
EFICACIA
http://www.feg.unesp.br/~ojs/index.php/ijhdr/article/viewFile/25/18
MEMORIA D’ÁGUA
http://www.sunnet.com.br/home/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1475
FISICA QUANTICA
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mec%C3%A2nica_qu%C3%A2ntica
RAFAEL, SEUS TEXTOS SÃO EXCELENTES. QUERO PEDIR QUE ESCREVA ALGO SOBRE SUZANE RICHTOFEN. *-*
Acho que voce não vai postar o meu, então eu posso dizer que te quebrei !
Passar Bem !
Caro “Amigo”,
Ao longo da leitura do seu post foram surgindo na minha memória dois pensamentos que normalmente insisto em fazer passar às pessoas que sinto que poderão ainda ter uma chance de evoluir (há quem por limitação de inteligência não o consiga por mais que tente).
Ainda perdi um pouco a tentar decidir qual deles deveria partilhar consigo mas acabei por decidir que melhor que partilhar apenas um seria partilhar os dois mesmo.
Assim sendo, e sem querer entrar em refutações infindáveis sobre a opinião que emitiu acima, limito-me a deixá-lo com a companhia de dois Mestres.
“Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe consiste a ignorância.” (Hipócrates)
“Se não sabes, aprende. Se já sabes, ensina.” (Confúcio)
Pense nisso…
num entendo nada de química, mas meu primo é farmacêutico e diz a mesma coisa: balela pura e simples. quando eu era criança, minha mãe me tratava com homeopatia em caso de gripe. eu nunca tomava os remédios direito, mas com cerca de uma semana estava muito bem, obrigado de novo. segundo minha querida progenitora, façanha da homeopatia. eu acredito mais no meu sistema imunológico. aliás, esse troço é tão furado que a própria médica homeopata, me vendo com 42 de febre, receitava antitérmicos tradicionais.
Que tipo raro de imbecil escreveu este blog. Nem português sabe, e quer versar sobre ciência médica.
Vai procurar algo útil para fazer, incompetente.
Fala como se conhecesse, mas demonstra não conhecer nada.
Gaba-se de feitos científicos, mas não consegue descrever uma só hipótese plausível.
Otário.
No mínimo esta sendo pago por algum laboratório para falar tanta imbecilidade.
Faço votos que melhore sua imbecilidade.
Sugestão: Coma mais feno e vai se sentir melhor, seu otário
muito boa a idéia desse blog! pena você escrever tão pouco nele.
Quáquáquá!
Me diverti com os comentários! Como alguém acima disse, faltou realmente comprovações no texto.
O que não muda nunca em quem é a favor da homeopatia (e outras crendices): ataques pessoais sem o mínimo embasamento científico.
Agora um conselho para o autor: não se pode errar no português, pois prejudica seus bons argumentos.
abraços aos crentes e aos céticos!
claro que homeopatia funciona, claro… tudo cientifico… claro..
So estou esperando pelo lançamento do anticoncepcional homeopatico, kkkkkkk
pseudo ciencia , tudo uma porcaria , viu?
coisas alternativas vão bem até que aconteça algo mais serio, tipo uma dor de dente, ai o maluco vai correndo pro dentista, quer anestesia e tudo que tem direito..kkkk
Os malucos usam tecnologia o dia inteiro, tais como roupas , relogias, pasta de dente, escovas, carros, tels, mas na hora de se tratarem preferem o mundo magico.
acho uma falta de sorte terrível, mas infelismente não tem mundo mágico.
Cresçam crianças.
Há mortes também em decorrência do não tratamento devido à crenças religiosas. Me manda uma carta no dia em que a medicina ocidental tradicional explicar todas as “curas milagrosas” e doenças misteriosas que já houveram.
Cara você precisa de Bufo Rana 200CH. Quem sabe desperta sua capacidade de pensar e veja que quando você precisar de tratamento a homeopatia estará de braços abertos
De Hipócrates a Paracelso
Os séculos seguintes apresentaram preponderância crescente das crenças de Cnido e das práticas de Galeno, chegando ao dogmatismo. O establishment da Antigüidade e, posteriormente, da Idade Média, não permitia qualquer tipo de oposição às idéias galênicas que reinaram quase absolutas por quinze séculos. Galeno ficou conhecido por seus preparados farmacêuticos que incluíam várias substâncias em cada um deles. Sua teriaga, uma de tantas misturas preparadas, chegou a ter mais de setenta ingredientes em sua composição até a época de sua morte. Na Idade Média o preparado já continha mais de cem substâncias, sendo usado como antídoto universal. Até o final do Século XIX a teriaga estava registrada nas farmacopéias oficiais de vários países europeus.
Paracelso
Um dos maiores críticos de Galeno, e, não casualmente, devoto de Hipócrates, foi Paracelso (1491 – 1541). Dotado de um espírito questionador, iconoclasta e revolucionário, esse médico e alquimista, nascido em Zurique, abalou as estruturas acadêmicas de sua época, questionando os clássicos e afirmando a necessidade de se realizarem experiências e observações próprias para o conhecimento da ciência. Com efeito, a medicina paracelsista é um retorno à filosofia da natureza, ao holismo. Ele vê a pessoa submetida às mesmas leis e princípios que governam o universo; em suas palavras: “Assim como é em cima, é em baixo”. Para ele, a saúde é resultante da harmonia entre o homem (microcosmo) e o Universo (macrocosmo). Paracelso aceita o princípio da cura pelo semelhante e prescreve: “Scorpio escorpionem curat”.
Samuel Hahnemann
No Século XVIII, Samuel Hahnemann (1755-1843) nasce na Alemanha e inicia sua prática médica em 1779. Naquela época, sangrias, eméticos e purgantes eram receitados sem nenhum resguardo. Os médicos julgavam-se autoridades máximas, acima da natureza, e não duvidavam de seus métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam. Hahnemann frustra-se profundamente com a prática médica e decide abandoná-la em 1789. Um de seus escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: “converter-me em assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me expor mais a continuar prejudicando”. Essa postura mostra sintonia com a máxima hipocrática: “Primo nil nocere”, ou seja, primeiramente não prejudicar.
Era um poliglota. Consta que conhecia grego, latim, hebraico, árabe, caldeu, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, entre outras línguas. O conhecimento desses idiomas é decisivo no futuro de Hahnemann, pois, havendo abandonado a prática médica, começa a sobreviver realizando trabalhos de tradução. Traduz, sobretudo, obras médicas e científicas, retomando estudos de antigos mestres como Hipócrates, Paracelso, Jan Baptista van Helmont, Thomas Sydenham, Boerhaave, Stahl e Albrecht von Haller.
A história registra sua personalidade prodigiosa, dotada de capacidade de observação e de senso crítico. Foi quando trabalhava na tradução da Materia Medica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele autor chamou sua atenção. A Cinchona officinalis (quinina ou simplesmente quina) era usada na Europa, proveniente do Peru, para o tratamento do paludismo. Segundo explicações do autor do livro, a Cinchona atuaria fortalecendo o estômago e produzindo uma substância contrária à febre. Movido por curiosidade e intuição científicas, Hahnemann decide provar, nele mesmo, o medicamento. Observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes ao das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça) ao ingerir a quina e seu desaparecimento ao cessar o uso. Repetiu várias vezes o experimento com a quinina e depois continuou fazendo provas com beladona, mercúrio, digital, ópio, arsênico e outros medicamentos. Inspirado pela obra de von Haller, que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente, inclui seus parentes nas experiências, observa e anota pormenorizadamente os resultados.
Depois de seis anos de pesquisas intensas, Hahnemann publica o “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual”. 1796 entra para a História da medicina como o ano de sistematização dos conhecimentos homeopáticos (para alguns o “nascimento da homeopatia”). Como visto acima, os princípios já haviam sido enunciados por outros médicos anteriormente, mas é Hahnemann quem dá um corpo único, coerente, sintético, com fundamentos nitidamente compreensíveis à homeopatia. É curioso mencionar que foi ele quem cunhou os termos “homeopatia” (à qual também se referia como Arte de Curar) e “alopatia” (Prática abusiva, agressiva e pouco eficaz).
A partir de 1801 Hahnemann começa a usar “medicamentos dinamizados” (técnica própria da homeopatia que visa o desenvolvimento da força medicamentosa latente na substância e que consiste em submeter a droga a diluições e sucussões sucessivas) e observa que isso dá mais potência ao medicamento. Em 1810 publica sua obra fundamental, “Organon da Medicina Racional”, mais tarde, “Organon da Arte de Curar”. Em vida, chega a publicar cinco edições do Organon. A sexta e definitiva edição vai para o prelo post mortem, em 1921.
Estude antes de comentar o que vocês não sabem!
Psicoacupuntura =(Medicina = Mente e Corpo) uma medicina energética como a homeopatia
O resgate da medicina antes do dualismo do Rene Descartes, ou seja, a terapia do corpo e alma juntos. A energia curativa que todo ser vivo possui em busca da cura, atuando em seu sistema imunológico, buscando o equilíbrio do mesmo em prol do paciente.
Antes do dualismo, a medicina enxergava o ser humano como um todo: Não apenas corpo, mas a união do corpo, mente e espírito e ainda suas relações com o meio ambiente, esse conceito soa familiar? Não é a toa que não há nada mais moderno hoje do que o resgate dessa visão do todo a chamada humanização da medicina. Como nasceu com Hipócrates (pai da medicina), na antiga Grécia:
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em nosso corpo, em busca do equilíbrio essencial para a harmonia da mente e corpo Estar em harmonia com a natureza;
- Cultivar emoções saudáveis;
- Permitir o fluxo equilibrado da energia do corpo;
A psicoacupuntura parte da premissa de que o fluxo de energia por meio do organismo segue padrões essências para saúde. Quando o fluxo harmônico de circulação Qi (energia) é quebrado, é possível corrigir as alterações pela estimulação eficaz de pontos localizados sob a pele. Esses pontos são nossas “ memórias energéticas” ou celulares, passíveis de manipulação quando ativadas pela introdução de agulhas. Utilizamos a psicologia cognitiva (o perfil de pensar), trabalhando a memória remota e atual do paciente, juntamente com os acupontos, que foram empiricamente determinados ao longo de milhares de anos de prática.
Em nossa abordagem é muito importante o equilíbrio do Shen (a mente) e o corpo. Utilizamos a meditação, uma forma de deixar o Qi (energia) circular.
Abaixo os doze mandamentos para meditar:
1°- Não tenha objetivo ou qualquer expectativa de ganhar algo com a meditação, meditar é o objetivo, simplesmente. Sente-se e deixe acontecer;
2°- Meditar é disciplinar, exige, portanto força de vontade para experimentar os benefícios da prática é preciso treinar regularmente, de preferência todos os dias, por pelo menos quinze minutos.
3° – Não tenha pressa, a pressa gera fadiga e estresse. A meditação acalma, relaxa, desenvolve no organismo mecanismos e combate o estresse.
4° – Apenas observe, deixe os pensamentos irem embora, assim como chegarem. Não se envolva, deixe a energia fluir, sem julgar. Seja tolerante com você mesmo, a mudança interna só acontece quando aceitamos quem somos.
5° – Desafie as dificuldades, os problemas podem ser encarados como oportunidade de crescimento e de aprendizado.
6° – Pense menos, sinta mais. Nem tudo tem explicação, portanto não permita que a necessidade de raciocinar não impeça de ser feliz, excesso de razão e a busca de padrões são as principais causas de angustia humanas – simplesmente seja;
7° – Não compare, cada pessoa possui um dom especial, que a prática do tai chi chuan resgata, tornando você uma pessoal incomparável. A meditação fortalece a meditação, refina o temperamento e caráter;
8° – Esteja sempre alerta. Isso requer estar em harmonia (mente e corpo);
9° – Comece crer para ver (o inverso de São Tomé), as maiores verdades da vida são invisíveis aos olhos: Fé (energia);
10° – Tenha vontade. A prática só começa e se mantém pela vontade;
11° – Procure utilizar a psicoacupuntura (mente e corpo), procurando sempre o equilíbrio sem preocupar-se com o tempo que venha a levar para chegar a harmonia;
12° – Faça pelo menos uma vez por mês, uma avaliação e uma circulação energética com um profissional habilitado (psicoacupunturista). Buscando seu bem estar físico e mental.
Ao término da meditação, inspire profundamente, solte o ar lentamente, relaxe a cabeça, pescoço e coluna. Você pode balançar o corpo suavemente para os lados, para frente e para trás, massageie o rosto e as partes do corpo que tenham adormecido. Estique as pernas e alongue-as e levante-se devagar.
Dr° Eduardo Ioci de Faria
Psicólogo e Psicoacupunturista
O homem na visão da acupuntura tradicional
A acupuntura é a única terapêutica sustentada por um sistema filosófico que, além do mais, nos faz entender o homem em si e no seu relacionamento com o meio ambiente e, por extensão, com o Universo, o que torna o ato terapêutico praticado na sessão de acupuntura o mais perfeito, correto e adequado (Cordeiro, 1994, p.25).
A milenar acupuntura foi fundamentada e estruturada em bases filosóficas, e não científicas, há milhares de anos. Tymowski (1986) afirma que a Medicina tradicional chinesa é fundamentada no conceito filosófico taoísta de integridade e unidade do todo, a unidade do organismo humano em si e a unidade maior do ser humano com a natureza; ela representa a condição vital para nossa sobrevivência.
Dumitrescu (1996, p.220), pesquisador dos mecanismos científicos que explicam a ação da acupuntura, acrescenta: “Numa expressão simbólica, através de uma terminologia específica, a acupuntura sustenta a integração do organismo vivo no macrocosmo com o qual esse entretém ligações intercondicionais. Do ponto de vista filosófico, encontramos aí uma perfeita semelhança com a teoria dos sistemas, segundo a qual todo sistema se encontra numa ligação de interdependência com o macrossistema do qual ele deriva, e a perturbação de um provoca reflexos na funcionalidade do outro. A permanência das formas materiais, energéticas ou informacionais, com a translação recíproca de uma forma na outra, é conhecida na acupuntura há mil anos”.
Como se pode ver, a Medicina tradicional chinesa, em particular, a acupuntura, percebe o ser humano como uma unidade menor (microcosmos) dentro de uma unidade maior (macrocosmos), sendo um influenciado pelo outro, e vice-versa, no qual o primeiro faz parte incondicional do segundo e contribui para a evolução do todo.
Segundo Mann (1971, p.17), “foi há 5000 anos que o legendário Imperador Amarelo chamou o seu médico-chefe e ordenou-lhe: ‘Relate-me tudo sobre a Natureza, o Tao e as leis da acupuntura.’ O diálogo que se seguiu a essa ordem foi escrito mais tarde, em vinte e quatro volumes, e constitui o primeiro registro de que dispomos sobre a acupuntura …”
Esse clássico, conhecido como Imperador Amarelo ou “Nei King ou Nei Jing”, é considerado, entre os estudiosos, a base de consulta de todo o conhecimento sobre a teoria e a prática do acupunturista. A diferença na grafia de “Nei King” para Nei Jing reside no fato de alguns autores utilizarem a grafia proposta por Morant (Nei King), que introduziu a acupuntura na Europa nos anos trinta ou pela grafia proposta pelas escolas chinesas modernas (Nei Jing). Neste trabalho, utilizaremos a primeira grafia, proposta por Morant.
O clássico – Nei King – contém todo o conhecimento a respeito do ser humano escrito acerca de 2.453 a.C., e até hoje é fonte de informações para diagnóstico, terapêutica e propedêutica, além dos ensinamentos oriundos da filosofia taoísta. É fonte riquíssima de informações sobre o ser humano e sobre como ele era percebido nas suas dimensões físicas e psíquicas.
Segundo Tymowski (1986, p.18), o “Nei-King” (O Livro do Interno) (453 a.C.-220 d.C.), verdadeiro monumento do pensamento chinês, resume todos os conhecimentos transmitidos desde as origens pelas diferentes escolas e contém, na sua primeira parte – o “So-Uenn” -, toda a patologia, higiene e terapêutica pelas agulhas e pelos medicamentos, e, na segunda parte – o “Ling-Chu” -, um verdadeiro tratado da acupuntura clássica, que ainda hoje constitui a obra de base de todos os acupuntores”.
Concordando com esse pensamento, Dumitrescu (1996, p.20) conclui: “O mais importante tratado médico proveniente da antiga China foi, sem dúvida, o Huangdi Nei Jing (Cânon de Medicina), conhecido pelos europeus numa variante compilada desde o período das guerras (474 -221 d.C.), uma apresentação em sumário do saber médico e filosófico…”
Nghi (1984, p.53), considerado pelos acupunturistas como uma das maiores autoridades ocidentais na acupuntura, escreveu: (…) “L´homme répond au ciel et à la terre” (O homem responde ao céu e à terra). Tal afirmação sintetiza, de forma magistral, os princípios que norteiam as teorias da filosofia da Medicina tradicional chinesa.
É possível encontrar, em Faubert (1990, p.16), ainda: “De fato, a originalidade do pensamento chinês, com relação à nossa, reside na visão de síntese do cosmos. Ele não procura opor os diversos elementos, mas sim, ligá-los por grandes leis de mutação que explicam os diversos fenômenos como outras tantas manifestações da mesma unidade subjacente. O ser humano, em particular, não vive separado do resto do universo, mas em harmonia com ele. Do macrocosmo ao microcosmo, as mesmas leis regem, assim, a vida e a morte, e exprimem o princípio universal: o Tao”.
O pensamento antigo chinês também considera que, em relação à organização desse ser humano, quer em seus aspectos físicos, quer nos aspectos psíquicos, tais componentes são indissociáveis, como pode ser visto em Faubert (1990, p.95): “Segundo a tradição chinesa, o ser humano constitui uma só entidade energética, e não é suscetível de ser dividido. O psiquismo não pode, portanto, em caso algum, ser dissociado do físico: ambos representam manifestações diferentes da mesma energia, eles seguem as mesmas leis e estão em interdependência completa, como as duas faces da mesma folha de papel. No caso de perturbações, seja do psiquismo ou do organismo, não se poderia, em absoluto, tratar de um sem referência ao outro…”
Segundo Cordeiro (1992, p. 63), “Tudo é energia. O corpo humano, físico, material, difere do que chamamos de energia apenas pela diferença e intensidade de vibração. Assim, a diferenciação de tudo o que existe no universo é resultado do tipo de vibração, sendo esta dependente do sol, da lua, dos planetas e do globo terráqueo, que, em perpétuo movimento cíclico, apresentam variações energéticas que afetam o homem e toda a vida na Terra”. Logo, esse ser humano (microcosmos), unidade indivisível, está em constante inter-relação com esse todo (macrocosmos).
Quando ocorrem desequilíbrios na energia interna do homem, estes podem alterar sua relação com o macrocosmo, e vice-versa; logo, desequilíbrios do macrocosmo podem ser capazes de influenciar a organização interna do homem.
Segundo a Medicina tradicional chinesa, as desarmonias ou desequilíbrios podem ser verificados através de sinais físicos ou psíquicos, já que ambos os aspectos pertencem à mesma unidade. Esses sinais servem de base diagnóstica para se conhecer a causa inicial dos desequilíbrios. Os sinais e sintomas são classificados, agrupados e direcionam a hipótese diagnóstica para conclusões a respeito do que, na MTC, é denominado causas externas, internas ou nem internas e externas. Poder-se-ia dizer, ainda, que o desequilíbrio entre homem-cosmos poderia levar a um desequilíbrio físico-psíquico, em que um influencia o outro, causando sofrimento.
Sobre a relação psíquico-física, por exemplo, pode ser encontrado, em Wang (762 d.C./2001), in Su Wen: “A excitação dos humores, como alegria excessiva, raiva, etc., pode danificar as vísceras, então, fere a energia vital do homem” (cap. 05, p. 52).
Cordeiro (1994, p.37) afirma: “A Medicina tradicional chinesa ensina que o mental e o físico têm origem na mesma essência, que, em sua manifestação maior, se apresenta como corpo físico – inn -, e, em sua manifestação menor, como mental – iang. Trata-se, pois, da mesma energia em níveis diferentes, podendo-se concluir que há uma interação total entre esses aspectos do homem e, portanto, as atividades mentais dependem da energia dos órgãos, do mesmo modo que, reciprocamente, influenciam a energia do físico”.
Conforme Chenggu (1987, p.5), “Por enfermedades mentales, se entienden aquellos tipos de anomalias en los que, debido a diversos motivos, em particular la excessiva excitación espiritual y psíquica, las funciones de los órganos y las vísceras del cuerpo humano pierden su normalidad, se dañan y se debilitan el qi, la sangre, los líquidos corporales, el jing (…) Todo esto causa disfunción del corazón y del cerebro, que se manifiesta em cambios extraños en los diversos tipos de conciencia, sentimientos, ánimo, habla y conducta”.
A acupuntura busca, então, devolver esse equilíbrio através de intervenções nesse corpo físico, nessa unidade psíquico-energético-socio-ambiental, através de estímulos em pontos de acupuntura, “aconselhamento” sobre as causas dos desequilíbrios, entre outras orientações, para ajudar o restabelecimento da “harmonia” perdida, que é, segundo a Medicina tradicional chinesa, a causa dos sofrimentos, sejam eles de natureza física ou psíquica.
Cordeiro (1994, p.37) explica que “o pensamento chinês não separa o corpo da mente (…) considera o indivíduo como um todo, de maneira global, e, por isso, as características psíquicas de cada um orientam o terapeuta para o diagnóstico concomitante do estado físico e psíquico do paciente. Em conseqüência, a ação da acupuntura, no corpo físico, repercute inevitavelmente no estado psíquico”.
Stiefvater (1996, p. 223) ensina que: “Quem se ocupa durante muito tempo com acupuntura não pode deixar de considerar o seu aspecto psicossomático”.
A Medicina tradicional chinesa considera impossível dissociar o psiquismo da unidade total do ser humano integrado ao “Universo”, mesmo que didaticamente. Sobre a pesquisa e o estudo do psiquismo, encontramos Faubert (1990), que afirma: “O conjunto do psiquismo é formado por cinco funções, geralmente designadas por Charles Leville-Méry pelo termo “entidades viscerais”.
As entidades viscerais ou funções psíquicas
Na concepção da filosofia taoísta, base da Medicina tradicional chinesa, o ser humano é composto por cinco elementos: Fogo, Terra, Metal, Água e Madeira. Estes são a base da concepção do Universo e de todos os seus componentes, logo, todas as estruturas, sistemas fisiológicos, órgãos, vísceras ou estruturas psíquicas, na sua concepção, estão relacionadas a um dos elementos. Sendo cinco os elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água), e, segundo a concepção oriental, há cinco órgãos, cinco emoções básicas, cinco cores, cinco odores, cinco tipos “psicológicos” (conhecidos na acupuntura como acupuntura constitucional), e, dessa forma, todas as coisas poderiam ser correlacionadas segundo suas características predominantes, que são as mesmas encontradas nos elementos.
Assim, cada entidade visceral está relacionada a um sistema que leva o nome de um órgão físico ocidental. Cada sistema possui uma fisiologia própria que inclui sentimentos, emoções, dor, cor, manifestações específicas de excesso, de insuficiência e tratamento específico.
Na Medicina tradicional chinesa, então, o sistema chamado Coração (C), como foi visto anteriormente, diferente do órgão coração dos ocidentais, pois, para os orientais, esse sistema Coração, além do órgão, abrangeria também as emoções, o calor, a cor vermelha, a alegria, o riso, o sabor amargo, está relacionado à entidade visceral Chenn.
De acordo com Faubert (1990, pp.96-99), cada uma das entidades viscerais se acha em relação com um órgão e, portanto com um elemento, e apresenta características e manifestações psíquicas que lhe são específicas; por esse motivo, possuem correspondentes fisiológicos,sendo que o equilíbrio do psiquismo em geral provém do equilíbrio mútuo das entidades.
Segundo a Medicina tradicional chinesa, a condição de saúde é resultante da condição da existência de certo equilíbrio entre todos os sistemas internos físicos ou psíquicos. Saúde em sentido amplo. A situação de desequilíbrio é expressa por sinais de hiperfuncionalidade, excitação, excesso, ou por uma manifestação de hipofuncionalidade, como a depressão ou uma insuficiência. Tais sinais poderiam apontar a direção de uma condição que levará ao sofrimento, seja ele físico ou mental.
Para Auteroche (1992, p.127), “A manifestação da emoção revela a natureza do distúrbio (excesso ou insuficiência) que afeta o órgão…”
Dessa forma, usando-se as emoções como um dos indicadores, é possível conhecer o desequilíbrio da energia que afeta a unidade homem e, através da terapêutica proposta pela MTC, por exemplo, a acupuntura, corrigir esse desequilíbrio.
Wang (762 d.C/ 2001, p.52) afirma que “(…) as cinco vísceras do homem produzem as cinco energias, que surgem, respectivamente, como excesso de alegria, raiva, melancolia, ansiedade e terror”.
Para denominar as entidades viscerais, são utilizados termos chineses, por não haver, no vocabulário ocidental, correspondentes exatos.
Na Medicina tradicional chinesa, então, o sistema chamado Coração (C) está relacionado à entidade visceral Chenn; o Fígado (F), à entidade visceral Roun; o Pulmão (P), à entidade visceral Pro; o Baço-Pâncreas (BP), à entidade visceral I, e o Rim (R), à entidade visceral Tche.
Para Faubert (1977, p.166), “Nous définirons les `entités viscérales’ comme étant les différentes activités mentales rattachées et conséquentes à chaque organe. L’organisme est pourvu de cinq organes et, par conséquent, de cinq entités viscérales, qui sont: le CHENN, qui est rattaché au coeur; le ROUN, qui est rattaché au foie; le PRO, qui est rattaché aux poumons; le I, qui est rattaché à la rate, e le TCHE, qui est rattaché aux reins”.
Cada uma dessas entidades é representada por um ideograma que, segundo V. Alleton, citado por Campos (1994), “são caracteres primitivos (pictogramas) que representam objetos. São elementos figurativos representativos de idéias. Propõem revelar ao leitor do ideograma a essência do objeto observado. Sendo o ideograma um símbolo, comunicar-se-ia diretamente com o inconsciente”.
A entidade visceral “Chenn”
O Chenn está relacionado ao sistema Coração e ao elemento Fogo.
Morant (1990. p.127), ao buscar possibilidades para tradução do ideograma chinês Chenn, diz: “O ideograma está formado pelo elemento: o que cai do céu e atravessa o corpo” ou ainda, “o elemento imaterial da energia astral, a força cósmica, as ondas que animam a forma e dão a razão. A inteligência, a razão guiada pelos princípios e pela moral, e não pelos instintos e pelas necessidades”. Segundo o autor, é a energia da energia, em referência à energia muito sutil, a energia psíquica.
Ainda buscando melhores traduções para esse conceito, a entidade visceral Chenn é a razão mesclada com a inspiração moral, é a razão e a sabedoria.
Morant (1990, p.127) afirma que “Chenn se emprega, correntemente, para denominar os seres notáveis, os gênios, os espíritos tutelares de uma região, um assunto. Diz-se que os tontos e os loucos estão despojados de Chenn”.
Faubert (1977, p.168) esclarece, ainda, que “(…) o Chenn é recebido na concepção: significa inteligência global. É a possibilidade mais ou menos desenvolvida de analisar e sintetizar o conjunto das informações recebidas com o propósito de torná-lo operacional. Influencia permanentemente as outras entidades viscerais e constitui o elemento referencial da vida mental. Quando se afirma que o Chenn se localiza no Coração, trata-se do coração celeste, o do psiquismo, cuja síntese se efetua no cérebro e pode ser de dois tipos: (…) Chenn individual – de cada um – e Chenn global, dos aspectos mais universais e coletivos”. Logo, o seu bom funcionamento é indispensável para o equilíbrio do psiquismo.
Faubert (1990, p.97) afirma: “O Chenn representa a inteligência global, que sintetiza as informações recebidas, o julgamento que decorre das referências ao passado. Todo o psiquismo lhe é ligado, e ele simboliza a Consciência, a Razão, a Sabedoria, o Amor (não no sentido de amor-paixão ou de amor-emoção, mas sim, de amor transcendente, em que o ego desaparece para se unir à energia universal). (…) As manifestações exteriores do Chenn são a alegria, o riso, a afetividade, a busca espiritual do absoluto”.
Na clínica da acupuntura, costuma-se dizer que, quando há insuficiência de Chenn, essa falta é expressa através de sinais e sintomas como: timidez, medo, queixas contínuas, inquietação e esquecimento; pelo contrário, quando há excesso de Chenn, os sinais e sintomas são percebidos como super-excitação mental, riso inextinguível, depressão (por excesso do elemento Fogo, isto é, com sinais de calor, rubor, transpiração) e ressecamento dos líquidos nutrientes (boca seca, por exemplo). Segundo, ainda, essa terapêutica, é possível, através do diagnóstico desenvolvido pela Medicina tradicional chinesa (MTC), avaliar excessos e insuficiências, e, a partir da análise das causas (fatores etiológicos) responsáveis pelo desequilíbrio, eleger a melhor intervenção; é possível, por exemplo, através da seleção de acupontos (pontos de acupuntura), sedar os excessos e tonificar as insuficiências, de forma a promover o equilíbrio das funções desarmônicas. Segundo ainda a MTC, todo sofrimento humano (físico ou mental) decorre de um desequilíbrio energético; logo, os sinais e sintomas físicos e/ou emocionais são apenas sinais que evidenciam a existência de uma desarmonia do conjunto. Resta ao psicólogo acupunturista identificar os desequilíbrios, seus fatores desencadeantes (internos ou externos) e as condições do próprio indivíduo para fazer frente ao desequilíbrio (para a fisiologia ocidental, mecanismos homeostáticos) e escolher a melhor proposta terapêutica.
A entidade visceral “I”
A entidade visceral I está relacionada ao sistema Baço-pâncreas e ao elemento Terra.
Morant (1990, p.128) diz: “El ideograma I está formado por los elementos: el sol (o la palabra) que se eleva por encima del Corazón-espíritu” (O ideograma está formado pelos elementos: o sol (a palavra) que se eleva por cima do Coração-espírito).
Outras interpretações possíveis para o ideograma I são: a imaginação, a ideação, a concentração de espírito, a memorização, a reflexão, a intuição e a compreensão.
Para Faubert, (1977, p.175) “Ao I, correspondem a possibilidade de reflexão, o desejo e a memória”.
O I é dedutivo e funciona por distinções e analogias. Fazem parte do I as experiências que passam pelo consciente, a memorização, o conhecimento, a capacidade de reflexão e a inteligência, o “tesouro das idéias”.
Afirma ainda Faubert (1990, p.97): “(…) Ele se manifesta nos hábitos, na receptividade, nas preocupações, nas idéias fixas. O I pertence, sobretudo, ao domínio do adquirido. Se é excessivo, há tendência para a rotina, para as manias, para a obsessão, para a rigidez mental. As depressões por excesso se traduzem por um exagero das preocupações, tristeza e falta de coragem. Se é insuficiente, há perda de memória, mau trabalho intelectual, falta de concentração, distração, preguiça, aborrecimento pela atividade (ausência de desejo)”.
A entidade visceral “Pro”
A entidade visceral Pro está relacionada ao sistema Pulmão e ao elemento Metal.
Segundo Morant (1990, p. 127), “El ideograma está formado por los elementos: `blancura (forma abreviada que representa Uno mismo) y fantasma’, es decir, la sombra de si mismo, la parte inconsciente del Yo”.
Para Faubert (1977), a análise do ideograma “(…) se desenha com dois elementos: `luz-sombra’. A imagem que o descreve é o que constitui a parte negra da lua que se percebe debilmente quando a crescente brilha; corresponde à nossa parte obscura e pouco iluminada (…)”
O Pro possui um aspecto mental da maior importância, que é a astúcia. Leva o indivíduo a agir sem escrúpulos para chegar ao seu objetivo, sem se preocupar com os meios. A sedução é uma qualidade do Pro.
Faubert (1990, p.98) destaca que “se é excessivo, há tristeza, temor do futuro, pessimismo, gemidos; se é insuficiente, há choro, perda do instinto de conservação (procura da morte), sensibilidade exagerada, vulnerabilidade”.
A entidade visceral “Tche”
A entidade visceral Tche está relacionada ao sistema Rim e ao elemento Água.
O ideograma é formado pelos elementos “coração e ministro”. É a “força do chefe”, no sentido de decisão, firmeza de propósito e força de caráter.
Morant (1990, p. 128), apud I Sou Jenn Menn, diz ainda: “Su Morada está en los riñones, con la energia sexual” (sua morada está nos Rins, com a energia sexual).
A tenacidade, a coragem, o espírito de decisão, a vontade, a determinação, a execução de idéias e a liderança dependem do Tche. Sua manifestação é o gemido. É a força que anima as três sessões do psiquismo (I, PRO e ROUN) e permite maior ou menor manifestação do Chenn.
O ato sexual depende da essência energética dos rins, daí as conseqüências para o Tche, com nefasta repercussão, para o Chenn, dos excessos e insuficiências por abuso ou repressão do ato sexual.
De acordo com Faubert (1990, p.98), “Se é excessivo, há temeridade, autoritarismo, obstinação. Se é insuficiente, há medo visceral, pânico, indecisão, gemido, falta de autoridade, complexo de inferioridade e tendência anti-social”.
A entidade visceral “Roun”
A entidade visceral Roun está relacionada ao sistema Fígado e ao elemento Madeira. Segundo a MTC, é essencialmente imaginação, inteligência instintiva, não sendo guiada pelo princípio ou pela razão, como o Chenn.
Para Cordeiro (1994), o Roun é responsável pela vitalidade física, que é oposta à energia mental e moral do Chenn. É literal nas interpretações das palavras e dos atos. Está ligada ao consciente; sua manifestação é a cólera, e a sua atitude é o grito.
Segundo Morant (1990), o Roun controla o sistema nervoso, e é através dele que são implantadas as ordens hipnóticas.
Quando o organismo é ameaçado em sua perpetuação e precisa agir rapidamente, o I (reflexão) é desconectado, e o Roun, que age por excitação-reflexo, toma o comando. Durante tais períodos, as sensações são registradas e depositadas no Roun sem que este efetue qualquer classificação lógica ou analógica: é o que acontece nas lutas em que não há tempo para “pensar” qual o tipo de defesa adequado para determinado tipo de ataque, e só a reação instintiva comandada pelo Roun permite resposta rápida e adequada (Cordeiro, 1994, p.39).
O Roun não estabelece diferenças e analogias; todas as informações são de valor idêntico; são registradas sem serem selecionadas e, por isso, nos momentos de urgência ou de perigo (mesmo que só supostamente como tal), pode restituir até mesmo as alienações, ditando ações conforme modelos considerados seguros porque anteriormente o foram (Cordeiro, 1994, p.39).
Segundo o clássico Wang (762 d.C/ 2001, cap. 05, p.126), “o excesso de Raiva prejudica o Fígado (…)”
Para Faubert (1990, p. 99), “Se é excessivo, há agressividade, irascibilidade, mau caráter, sonambulismo. Se é insuficiente, há angústia, falta de imaginação e de coordenação, apatia”.
Conclusão
A declaração de Veneza foi um marco importante ao reconhecer a necessidade da aproximação entre as ciências do Ocidente e as tradições orientais. Chamou a nossa atenção para a existência de outras fontes e formas do saber.
Com a criação da Organização das Nações Unidas, nascida após a catástrofe da Segunda Guerra Mundial, percebe-se que somente o diálogo pode construir.
Com a Oitava Conferência Nacional de Saúde, o Brasil avança num momento em que também integra os países que “desejam dialogar”. Nossa sociedade também estava cansada do “endurecimento político” e da falta de diálogo.
A Psicologia, ao regulamentar a utilização da milenar acupuntura para o psicólogo, “convida” a acupuntura a “mostrar-nos” o que construiu em mais de cinco mil anos de observações sobre o ser humano e sobre seus sofrimentos físico-psíquicos, e, ainda, apresentar suas propostas de intervenção e destacar quais instrumentos desenvolveu para lidar com essas questões.
Ao ensinar, há mais de 5000 anos, que o homem é um ser indivisível, e que corpo e mente fazem parte “da mesma folha de papel”, a acupuntura traz conceitos que muito se aproximam das atuais construções teóricas, como, por exemplo, as defendidas pela psicossomática. Algumas citações de textos tradicionais da Medicina tradicional chinesa muito anteriores à época de Hipócrates (pai da Medicina ocidental), Galeno, Theophilos, Actuarius, Aetis e Stephanus, Hermes, Freud, pai da psicanálise, e Jung, causam surpresa pela simplicidade e profundidade de um pensamento que remonta a 3000 anos a.C.
A acupuntura propõe ao psicólogo intervir, através de estímulos em determinados pontos, na causa primeira dos sofrimentos que, segundo a MTC, estão na desarmonia do homem consigo mesmo, ou deste em relação ao meio exterior ou do meio em relação ao homem. Propõe ao psicólogo, como cientista que é, o estudo, a busca das interfaces existentes entre o melhor do pensamento ocidental e o melhor do pensamento oriental. Cabe ao psicólogo fazê-lo
Dr.Eduardo Ioci de Faria
Psicólogo e psicoacupunturista
Parabéns! ótimo texto!
Não sou medica/farmaceutica/homeopata. Mas sua opnião não me convenceu. Sem fontes seguras de informação, até parece que você pesquisou o mesmo que eu (leiga) na net, para postar.
Acho que tudo tem equilibrio e proporcionaliddae.
Agora você e outros falarem que um mal não pode ser combatido com outro mal é foda!
Como você acha que é feita a vacina? É feita à base da propria doença!
Ah e você já parou para se perguntar porque as farmacias convencionais se chamam DROGARIA?
A maioria dos medicamentos para gripe, por exemplo, combatem os sintomas, Mas não a doença, seu proprio organismo se encarrega disso em 5 dias!
A homeopatia não é o milagre em comprimido, mas uma opção de tratamento a longo prazo para determinadas doenças.
HA muitos artigos que comprovam também que problemas psicologicos podem causar doenças fisicas, neste caso acho que a Homeopatia é valida!
Procure pesquisar mais!
Caro Rafael Madeira,
Discorrer sobre um tema que ignoramos, que não estudamos a fundo, que não pesquisamos, que não investigamos é pura infantilidade.
Como criticar, de forma honesta e não preconceituosa, um assunto que é desconhecido para nós?
Entendo que para estabelecer um juízo é preciso debruçar sobre a questão, estudá-la exaustivamente, compreender o postulado e depois, somente depois, relacionar e estabelecer os pontos discordantes, propiciando uma análise crítica, com base comparativa com outros sistemas.
Fora dessa premissa, a nossa opinião é só especulação de quem ignora e nega por desejo de negar.
Espero ter contribuído para elucidar a questão.
Um abraço.
Bom dia ! Tenho bronquite e perdi as contas de quantas vezes tive que correr ao pronto socorro, fazer inalações, tomar antiflamatorio e remedios anti alergicos na qual com certeza melhorava. Perdi as contas de quantas noites passava a madrugada sentada, morrendo de sono sem poder dormir, e varias vezes a noite usava a famosa bombinha para conseguir dormir e funcionava, eu dormia . Até que um dia arrisquei por conta propria usar almeida prado nr 10 para bronquite. DEpois de um mês, eu ja podia dormir de cobertor, respirava normal durante todo o dia, ou seja, continuo tomando até hoje somente 2 comprimidos por dia e nunca mais tive a maldita crise, pois esta é a unica palavra que encaixa para as crises de bronquite. Se me perguntarem se acredito na homeopatia (Almeida Prado), a liberdade de nao ter mais falta de ar responde por mim, claro que acredito. Sem falar que a minha bombinha nem me preocupo mais em saber aonde ela esta, pois nunca mais precisei usa-la. Tomo 2 comprimidos por dia como prevenção, e a crise nunca mais voltou. Respeito as pessoas que não acreditam, mas a experiência que tive foi muito gratificante, para ser sincera nem eu esperava que fosse funcionar tão bem, pois como ja tinha tomado de tudo e funcionava durante as crises, e na homeopatia consegui uma prevenção para eu nao ter mais as crises. Sei perfeitamente que varias pessoas vão escrever criticando ou nao acreditando, mas nao me importo, pois a experiência positiva quem passou fui eu e isto que importa. Coisas simples como dormir de cobertor, coisa que eu nao podia mais fazer, hoje fico feliz por ter esta liberdade, de me enrolar num cobertor e dormir a noite inteira respirando bem. Isto, nenhum dinheiro do planeta paga. Sou imensamente grata a este homeopata por ter me dado a possibilidade de desfrutar deste medicamento que me faz hoje ser uma pessoa mais feliz , por ter uma qualidade de saúde controlada.
Falar do que não conhecemos é algo sem nexo ou coerência é como falar de fórmulas matematicas sem conhece-las.Falar que a homeoptatia é uma medicina sobre nada é mesmo que falar que o homem é um ser que caminha para o nada!Parem com isso Com o advento da acupuntura dentro da medicina chinesa que existe a mais de 5000 anos, descobriram-se que se podia manipular energias com o objetivo de tratar doenças e utilizava pontos no corpo para esse trabalho; assim nascia os primórdios da acupuntura.e posteriormente a homeopatia que existe apenas 310 anos tendo como base as premissas da medicina tradicional chinesa. Assim, a Homeopatia não se baseia em prescrever um medicamento para a doença e sim em um conjunto pessoa-doença, com suas nuances exclusivas, considerando: aspectos psicológicos; comportamento; maneira de ser; aspectos sociais; atitudes e expectativas; a observação homeopática, como acupuntura, busca o equilíbrio energético. A Acupuntura se fundamenta numa estrutura teórica sistemática e abrangente, de natureza filosófica. Ela inclui entre seus princípios o estudo da relação de yin/yang, da teoria dos cinco elementos e do sistema de circulação da energia pelos meridianos do corpo humano. A homeopatia é considerada uma filosofia (lato sensu) holística, vitalística, na medida em que interpreta as doenças e enfermidades como causadas pelo desequilíbrio ou distúrbio de uma hipotética energia espiritual ou força vital no organismo de quem as apresenta. Desse modo, ela vê tais distúrbios como manifestações em sintomas únicos e bem definidos.
Assim as duas abordagens buscam o equilíbrio das energias presentes no organismo; com o equilíbrio procura-se a cura das patologias orgânicas e psicossomáticas, encontrando-se relações de semelhança entre as abordagens, quando se utilizam de pontos de estímulo para manipular energia e na avaliação holística do paciente e sua doença.